Krishna é o amante de Radha.

Krishna é o amante de Radha. Ele exibe Seus muitos passatempos amorosos nos bosques de Vrindavana, Ele é o amante das donzelas (vaqueirinhas de Vraja), Ele ergueu a grande colina chamada Govardhana com um só dedinho, Ele é filho amado filho de mãe Yashoda, o encantador dos habitantes de Vraja, e Ele vagueia pelas florestas ao longo das margens do rio Yamuna.

como se tornar um devoto de krishna

Perguntas Frequentes

O Deus de vocês é o mesmo Deus que está na Bíblia?
Em que vocês acreditam?
Por que não comem carne?
Que significa a pintura no nariz e na testa?
Por que raspam a cabeça?
Por que usam essas roupas?
O que significa esses nomes que usam?​
Quem é Srila Prabhupada?
O que é esse saquinho que carregam?
O que é esse colar que usam?
Posso visitar o templo?
Em que idioma cantam suas canções?
Quem é a mocinha que está com Krishna?


O Deus de vocês é o mesmo Deus que está na Bíblia?

Sim. Nossa filosofia básica é que existe um somente um Senhor Supremo e que todos os seres vivos são Seus servos amorosos. Ele transmite Suas instruções à raça humana pessoalmente através de Seus vários filhos, servos, representantes idôneos, e essas instruções, ou escrituras, são as bases de todas as religiões genuínas.Krishna, que significa em sânscrito "o Todo-Atrativo" é o mesmo Deus adorado na Bíblia e em outras escrituras. Deus tem ilimitados nomes e Krishna é um deles.

Em que vocês acreditam?

A filosofia Védica da consciência de Krishna é vasta. Mas aqui vai um brevíssimo resumo da nossa filosofia: A primeira coisa que devemos entender é que não somos nosso corpo, somos seres espirituais eternos. Esse é o primeiro passo. Portanto nosso dever não é simplesmente correr atrás da satisfação dos nossos sentidos, como cachorros, gatos e porcos, pois isso tudo é passageiro e inútil. Devemos nos dedicar aquilo que é eterno, ou seja, aquilo que é espiritual. Portanto o segundo passo é aprender a distinguir o espiritual do material. Deus, Krishna, é absoluto. Portanto tudo diretamente ligado a Ele é não diferente dEle. Por exemplo, Seus santos nomes são idênticos a Ele – não há diferença. No mundo material é diferente. O nome “manga” é diferente da fruta manga. Mas com Krishna é diferente. Tudo diretamente ligado a Ele é espiritual, não diferente Dele. Assim, Seu nome, Seu serviço, Seu templo, Suas instruções, Seus livros, Seus devotos puros, Sua comida - tudo é 100% espiritual. O sucesso da vida, então, está em cada vez mais moldar sua vida de forma que tudo você pensa, tudo que fala, tudo que faz é espiritual, é ligado a Deus, a Krishna. Chamamos isso de consciência de Krishna. Na medida que espiritualizamos nossas vidas, chegamos cada vez mais próximos do padrão de felicidade perfeita que podemos experimentar na plataforma espiritual original. É algo concreto que podemos experimentar em nosso dia a dia - não é uma questão de esperar os resultados para a próxima vida. Como Krishna é a fonte de tudo que existe, inclusive nós mesmos, agir de qualquer outra forma é tolice, fruto de nossa ignorância, ilusão. Por exemplo, digamos que você acorda um dia achando que é uma princesa de um conto de fadas e tudo que faz é com base nisso. Você nem sabe em que país está, quem é seu pai, o que tem que fazer - todos vão concordar que você está louco, não é mesmo? O resultado será que todas suas ações e palavras serão equivocadas, inúteis, pois você não é quem pensa que é. Da mesma forma ao não saber que somos uma alma eterna, parte e parcela de Deus, de Krishna, e que tudo a Ele pertence, não será possível agirmos da forma correta e tirar proveito de nossa vida.

Por que vocês não comem carne?

Por muitas razões, comer carne não é saudável nem física nem espiritualmente. Os médicos descobriram que há uma relação entre o consumo de carne e doenças tais como câncer e ataque cardíaco. Os cientistas afirmam que nossos corpos são muito parecidos com os de herbívoros e totalmente diferentes dos corpos dos carnívoros. Nutricionistas nos dizem que ao combinarmos de forma adequada alimentos tais como feijão, cereais, nozes e laticínios, obtemos até mais proteínas do que precisamos, e elas são bem mais fáceis de serem digeridas. Muitos dos primeiros cristãos, como Santo Agostinho e São Francisco, condenavam a matança de animais e o consumo de carne por estes serem atos cruéis e enfatizam que a dieta perfeita para cada homem, tal como é dada no Gênesis (1:29-30), é vegetariana. Os devotos de Krishna vão bem além do vegetarianismo, pois mesmo por matar vegetais a pessoa incorre em ação pecaminosa. Portanto, como prescreve nossa escritura, o Bhagavad-gita, primeiro oferecemos todo nosso alimento ao senhor com amor e devoção, e ao abençoá-lo, Ele o liberta de todos os pecados. Nós chamamos este alimento de prasadam - "a misericórdia do Senhor"

Que significa a pintura no nariz e na testa?

Chama-se tilaka e é feita com argila especial proveniente dos rios sagrados da Índia. Após nos banharmos, marcamos nossos corpos com tilaka para designá-los como templos de Deus, que habita os corações de todas as entidades vivas. Existem duas pinturas bizantinas de Jesus Cristo, do ano 1100, bem como o Sudário de Turim, mostrando uma inconfundível marca em "V" em seu nariz e testa. Até hoje os eruditos e o clero não puderam explicar isto, mas é possível que Jesus também seguia essa tradição milenar.

Por que vocês raspam a cabeça?

Para manter a limpeza e cultivar a simplicidade e humildade, os monges celibatários e alguns homens casados raspam a cabeça. Essa antiga tradição indica que pessoa está mais interessada em cultivar a beleza da alma que a do corpo. Ao raspar a cabeça, deixa-se um tufo de cabelo, que chama-se sikha. No oriente outros grupos monásticos, como os niilistas e impersonalistas, também raspam a cabeça; portanto, os monges Hare Krishna usam a sikha para serem distinguidos como teístas personalistas.Porém, para aqueles que não são monges no Templo, essas práticas não são obrigatórias ou necessárias para a prática da consciência de Krishna.

Por que usam essas roupas?

O costume de usar as roupas conhecidas pelos devotos Hare Krishna como "roupas devocionais" foi-nos transmitido por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, o acharya-fundador da ISKCON, através de instruções e, principalmente, de seu próprio exemplo pessoal. A parte inferior da roupa usado pelos homens é chamada de "dhoti" e a parte superior de "kurta". Também é comum os homens usarem mantos na parte superior do corpo. As mulheres usam o sari. No caso dos homens, existe a opção do devoto pela vida de renúncia em celibato (roupa açafrão), ou vida familiar (roupa branca), já as mulheres podem usar a cor que preferirem.

O que significa esses nomes que usam?

Nossa real natureza é 100% espiritual, somos parte e parcela de Deus, Krishna, e Seus eternos servos amorosos. Nosso corpo é temporário e deve ser usado para atingirmos esse estágio de compreensão e consequentes atividades no plano espiritual. Quando você nasce, recebe um nome baseado em seu corpo. Em outras vidas tinha outros nomes. Todos temporários e mundanos. Quando você de fato compreender que não é seu corpo e aceita um mestre espiritual, e ele o aceita, você recebe um nome que diz respeito a sua natureza espiritual. Assim, quando somos iniciados, ou seja, quando estamos no ponto de seriamente seguir o processo de consciência de Krishna, recebemos um nome espiritual. Esses são nomes de Deus, ou de Seus associados eternos, seguidos pela palavra Das (para homens) e Dasi (para mulheres). Das e Dasi significa servo e serva.

Quem é Srila Prabhupada?

Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada é o acharya-fundador da ISKCON e da BBT, a editora da ISKCON. Ele nasceu em 1896 na cidade de Calcutá, Índia. Em sua iniciação espiritualem 1933, seu mestre espiritual, Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Thakura, deu-lhe o nome de Abhay Charanaravinda Das. Depois de se aposentar de sua vida familiar em 1950, Srila Prabhupada estudou profundamente e traduziu a literatura védica e lhe foi conferido o título honorífico de "Bhaktivedanta". Em 1965, sob a ordem de seu mestre espiritual, ele foi ao ocidente para difundir a consciência de Krishna. Ele fundou a Sociedade Internacional para Consciência de Krishna (ISKCON) em Nova Iorque em 1966. Ele abriu 108 templos, escolas e comunidades rurais. Também organizou grandes festivais mundo afora. Sua contribuição mais importante são seus livros, incluindo as traduções e comentários do Bhagavad-gita, Srimad-Bhagavatam e Chaitanya-charitamrita. Em 1972 Srila Prabhupada fundou a Bhaktivedanta Book Trust (BBT) para publicar seus livros. Ele partiu desse mundo em 1977.

O que é esse saquinho que carregam?

Esse saquinho (ou bolsa) contém nossas contas de meditação ("japa-mala" em sânscrito), ou nosso "rosário".
Mantém nossas contas limpas e protegidas.

O que é esse colar que usam?

Esse colar, conhecido como kanthi, é feito de pequenas contas da sagrada madeira Tulasi. As escrituras védicas explicam que esse tipo de colar é muito auspicioso e traz proteção espiritual ao usuário. Ajuda o praticante a lembrar que ele é um servo amoroso de Deus e aos demais a identificá-lo como tal. Seu uso é aconselhável a todos, mesmo os que estão começando agora.

Posso visitar o Templo?

Sim! Nossos Templos são abertos ao público. É apenas uma questão de ver com o Templo ou Centro Cultural em questão o melhor momento para fazer sua visita. O programa mais freqüentado é o chamado “Festival de Domingo”. Um programa típico começa com o canto congregacional de mantras e canções devocionais que acompanham um ritual. Em seguida tem uma aula e depois é servido um alimento espiritual (prasadam). Em alguns lugares após a aula tem mais canto de mantras e canções também.

Em que idioma cantam suas canções?

O idioma mais usado em nossas orações formais e canções é o sânscrito, às vezes chamado de "a mãe de todas as línguas". É a língua das escrituras Védicas. É também conhecido como a língua dos semideuses. Outro idioma usado em algumas de nossas escrituras e canções é o Bengali, principalmente pelo fato do Senhor Chaitanya, o principal avatara dessa Era, ter aparecido lá, como apareceram também muitos santos e mestres espirituais de nossa tradição.

Quem é a mocinha que está com Krishna?

Srimati Radharani é a energia interna personificada do Senhor Krishna. Ela é a representação feminina de Deus. Ela é o abrigo de todos os devotos e o exemplo supremo de devoção. No mantra Hare Krishna, Hare se refere a Ela. É necessário bastante avanço espiritual para compreender Srimati Radharani e Sua posição única. Lendo o Néctar da Devoção, o Caitanya Caritamrta e o Srimad Bhagavatam poderemos ter uma noção melhor de quem é Srimati Radharani.

‪#‎FESTIVAL‬ DE BALARAMA EM SÃO JOSE DOI RIO PRETO


‪#‎FESTIVAL‬ DE BALARAMA EM SÃO JOSE DO RIO PRETO O Evento acontece no Vila Vidya - Yoga e Terapias , dia 29 de agosto, sábado, a partir das 17h30. A programação terá apresentações de kirtam, bhajans, histórias e dança e jantar Lacto-vegetariano. O Festival de Balarama marca a data natalícia do irmão de Krishna! Balarama (बलराम), também conhecido como Baladeva, Balabhadra e Halayudha, é o irmão mais velho de Krishna, segundo os textos Puranas do Hinduísmo. Dentro do Vaishnavismo e um número de tradições Hindu, Balarama é venerado como um avatar do Deus supremo Vishnu, também listado no Bhagavata Purana. contatos :Dri Carmo Karuna Purna e Gokulesvara Dasa- telefones17- 3305-7680ou 17-99178-5461- CONFIRME A SUA PRESENÇA

BHAGAVAD-GITA: CANTO XI A VISÃO DA FORMA CÓSMICA DE DEUS

A VISÃO DA FORMA CÓSMICA DE DEUS

Fala Arjuna:


1. Meu erro se desvaneceu ao escutar tuas palavras sobre o supremo mistério do Adhyâtma, que para meu bem me revelastes.


2. De Teus lábios aprendi em detalhe a origem e a dissolução dos seres, ó Tu de olhos de lótus, assim como sua eterna grandeza.

Krishna e Arjuna no campo de batalha

3. Gostaria de contemplar tua forma soberana, Senhor supremo, tal como me foi descrita por Ti, ó Puruchottama.


4. Se julgas possível para mim semelhante visão, mostra-Te a meus olhos, senhor da yoga, em Tua totalidade.




Fala Krishna:


5. Contempla, filho de Prithâ, minhas centenas de milhares de formas divinas, todas variadas, de diversas cores e formas.


6. Contempla os adytyas, os vasus, os rudras, os ahvins e os maruts. Admira, filho de Bharata, esta multidão de maravilhas até agora nunca vistas.


7. Contempla hoje aqui o Universo inteiro, animado e inanimado, reunido em Meu corpo, Gudâkesha, e tudo aquilo que desejes ver.


8. Mas não é possível que me vejas com teus olhos. Dou-te, pois, um olho divino. Contempla-Me agora em minha Yoga divina.




Fala Sanjaya:


9. Tendo assim falado, ó Rei, Hari, Senhor da Yoga, mostrou a Pârtha Sua forma suprema de divindade infinita, com rostos voltados para toda parte,


10. que contém em si todas as maravilhas do existente, que multiplica infinitamente todas as esplêndidas manifestações de Seu ser, uma divindade vasta como o Mundo, que vê através de inumeráveis olhos e fala através de inúmeras bocas, brandindo armas refulgentes,


11. gloriosa em seus ornamentos divinos, vestida com um raio celeste de divindade, suave com suas guirlandas de flores divinas, envolta em divinos aromas.


12. Tão luminoso era aquele ser magnânimo como mil sóis que surgissem juntos no firmamento.


13. O Mundo inteiro, múltiplo e no entanto uno era visível no corpo do Deus dos deuses.


14. E então, maravilhado, estupefato e amedrontado Dhananjaya prosternou-se e, juntando as mãos, dirigiu-se à divindade:




Fala Arjuna:


15. Em Teu corpo, ó Deus, contemplo todos os deuses e as inúmeras variedades de seres ao lado de Brahma, sentado em seu trono de lótus, e todos os rishis e serpentes divinas.


16. Vejo braços, ventres, olhos e bocas inúmeros, mas não vejo em Ti, origem, meio ou fim, ó Senhor do Universo, forma universal.


17. Vejo-Te com a fronte cingida pela tiara e armado com a maça e o disco, mas mal posso distinguir-Te pois és por toda parte a meu redor uma massa luminosa de energia, imensurável, resplandescente como o fogo e como o Sol.


18. Tu és o imortal e o mais sublime de todos os seres que se possa conceber, sustentáculo e morada do Universo; perene guardião da lei eterna e causa perpétua de tudo quanto existe.


19. Em Ti não há princípio, meio ou fim; Teu poder é imenso; infinitos são Teus braços; Tens por olhos o Sol e a Lua; Teu rosto é flamejante como o fogo do sacrifício e com Tuas irradiações abrasas este Universo.


20. Apenas Tu preenches o espaço entre o céu e a Terra. Os três mundos estremecem, ó ser magnânimo, ao contemplar Tua forma tremenda e prodigiosa.


21. A Ti acorrem as legiões de deuses; alguns deles cheios de temor Te invocam, juntando as mãos. "Salve!", exclamam em coro as multidões de grandes rishis e siddhas, louvando-Te em cânticos sublimes.


22. Os rudras, adityas, vasus, sâdhyas, vishvas, ashvins, maruts e uchmapas, assim como os músicos celestes, yashkas, asuras e sidhas Te contemplam todos maravilhados.


23. Os mundos se amedrontam como eu, ó Tu de braços poderosos, ao ver Tua forma monstruosa, com tamanha profusão de bocas e olhos, tantos braços pernas e pés, tantos ventres e dentes ameaçadores.


24. Pois ao ver-Te tocando o céu, resplandecendo em diversos matizes, ao contemplar Tuas bocas desmesuradamente abertas e Teus olhos enorme e fulgurantes, minha alma estremece, ó Visnhu, perco a paz e sinto-me desfalecer.


25. Quando vejo tuas bocas armadas de dentes ameaçadores e ardentes como o fogo devorador do fim do mundo, meu ânimo se conturba e a alegria me abandona. Tem piedade de mim, Senhor dos deuses, coluna do Universo.


26. Os filhos de Dhritarashtra juntamente com os exércitos dos reis e dos heróis, Bhisma, Drona, Suta e Karma, com o escol dos nossos guerreiros.


27. Todos eles somem nas terríveis fauces, nesse abismo eriçado de dentes - ai! quantos vejo de membros dilacerados, suspensos por entre esses dentes pontiagudos!...


28. Quais torrentes, em veloz demanda do mar, assim vejo a flor de nossos heróis a precipitarem-se, irresistíveis, nas fauces hiantes de fogo...


29. Como mariposas enlouquecidas pela luz encontram morte súbita na chama, assim vão esses mundos, sem cessar, ao encontro da destruição...


30. Devorando com teus lábios de fogo, engoles todos os mortais; tua luz pervade os mundos, Senhor, e teus raios aniquilam todos os povos.


31. Quem és tu, nessa forma terrífica?... Curvo-me diante de Ti... De todo o coração anelo por conhecer-Te - mas não compreendo a Tua revelação...




Fala Krishna:


32. Eu sou o tempo eterno, o destruidor dos mundos; eu destruo qualquer gênero humano; de todos os guerreiros que aqui contemplas, não sobreviverá um só.


33. Ergue-te, pois, e reveste-te de coragem! Conquista vitória e glória! O meu poder já derrotou o inimigo - seja teu braço apenas o instrumento do meu poder!


34. Esmaga-os todos. Drona e Bhisma, Jayadratha e Karma e todos os demais guerreiros valentes. Eu já os matei. Não temas! Lança-te à luta - e serás vencedor!




Fala Sanjaya:


35. Depois de ouvir estas palavras, ergueu Arjuna as mãos com reverência ao Senhor dos mundos e, repleto de temor, com os lábios trêmulos, assim falou a Krishna:




Fala Arjuna:


36. Com razão, ó Krishna, exulta o mundo em Tua luz e glória. Fogem espavoridos, os gigantes, e os anões tombam a Teus pés.


37. Só a Ti compete a glória, ó soberano dos mundos; mais alto que Brahman, o criador, és Tu a causa primeira, o Ser Supremo, o Deus dos deuses que habitam o Universo. Tu, o uno, que existes e inexistes, porque trancendes um e outro.


38. Tu és a divindade primordial, o antigo princípio gerador, o supremo receptáculo de todo o cosmo; és aquele que conhece e o objeto do conhecimento, a morada suprema; o Universo está pleno de Ti, ó senhor todo-poderoso.


39. Tu é o Deus do ar, o Deus do fogo, o Deus dos oceanos e o Deus dos mortos; és a Lua, o gerador e o bisavô do mundo. Louvado sejas mil e mil vezes!


40. Adoro-Te diante de Ti, a Tuas costas, e por toda a parte, ó Tu que és o todo! Imenso é Teu poder, infinita Tua força; em Ti se encontram todas as coisas, portanto és o todo.


41. Se considerando-Te como simples amigo fui irreverente dizendo:"Krishna, Yâdava, meu amigo"; se desconheci Tua inefável majestade, seja por inadvertência, seja porque me cegara o afeto;


42. Se Te ofendi algum dia, brincando, estando deitado ou à mesa, a sós ou em companhia de outros, imploro o Teu perdão, Deus imenso e inconcebível.


43. Tu és o pai do mundo animado e inanimado, és digno de veneração e o mais respeitável mestre espiritual. Não há nada que possa igualar-Te, como poderia alguém superar-Te, se nos três mundos é sem par Tua grandeza?


44. Prostrado pois, humildemente a Teus pés, imploro Tua clemência, ó ser digno de louvor. Perdoa-me senhor, como o pai perdoa o filho; o amigo, o amante, sua amada!


45. Meu coração se rejubila ao ver a maravilha até agora oculta a todos os olhares, mas ao mesmo tempo se sobressalta temeroso. Mostra-Te pois, em Tua forma; ouve meus rogos, Senhor dos deuses, sustentáculo dos mundos.


46. Anseio por ver-Te como antes, coroado com a tiara empunhando a maça e o disco. Assume de novo Tua forma de quatro braços, ó Tu que estás dotado de mil braços e formas inumeráveis.




Fala Krishna:


47. Por uma graça especial e em virtude de meu poder místico, revelei-te, Arjuna, minha forma suprema, gloriosa, infinita, universal e primitiva, que até o presente, ninguém além de ti pôde admirar.


48. Nem pelo estudo dos Vedas, nem através de sacrifícios, dádivas, obras piedosas e mortificações acerbas, nenhum mortal, além de ti, pode alcançar semelhante visão, ó príncipe dos kurus.


49. Não tenhas receio, nem te conturbes por essa visão terrível. Afasta o temor, alegra-te e contempla Minha outra forma.




Fala Sanjaya:


50. Dizendo isso, Vâsudeva manifestou-Se novamente em sua forma humana. Mostrando-Se assim em sua forma plácida, o Senhor magnânimo tranqüilizou o aterrado Arjuna.




Fala Arjuna:


51. Ao ver-Te novamente em Tua aprazível forma humana, ó Janârdana, minha razão serena e a calma renasce em meu peito.




Fala Krishna:


52. A forma superior que acabas de admirar, raramente pode ser percebida. Mesmo os deuses anseiam por contemplá-la.


53. Mas ninguém pode ver-Me tal como Me vistes, nem pelo estudo dos Vedas, nem à custa de mortificações, esmolas e oferendas.


54. Somente através de uma dedicação exclusiva a Mim é possível conhecer-Me em essência e entrar em Meu ser, ó terror de teus inimigos.


55. Aquele que se torna instrumento de minhas ações, que faz de Mim a meta suprema de seus anseios e Me serves com devoção, livre de apegos e de inimizade por qualquer criatura vem a Mim, ó filho de Pându.

BHAGAVAD-GITA: CANTO X DAS MANIFESTAÇÕES DE DEUS NO UNIVERSO

DAS MANIFESTAÇÕES DE DEUS NO UNIVERSO

Fala Krishna:


1. Meu querido Arjuna, guerreiro de braços fortes, escute mais uma vez Minha palavra suprema. O que vou dizer agora é para seu benefício e dar-lhe-á grande alegria.


2. Nem os deuses nem os grandes rishis conhecem minha origem pois Eu sou o princípio absoluto dos deuses e dos grandes rishis.

Krishna e Arjuna no campo de batalha

3. Aquele que Me conhece como inato e sem origem, senhor soberano do Universo, está livre do erro e do pecado.


4. Entendimento, sabedoria, libertação do erro e da ignorância, paciência, sinceridade, domínio de si mesmo, tranqüilidade de ânimo, prazer e dor, miséria e prosperidade, coragem e medo,


5. mansidão, eqüanimidade, alegria, ascetismo, liberalidade, glória e infâmia: todas essas qualidades dos seres procedem de Mim.


6. Os sete grandes rishis, os quatro kumâras e também os Manus de quem emanam todas as gerações do mundo, participando de Meu ser, nasceram de Minha mente.


7. Quem conhece em essência Minha magnitude e Meu poder místico goza de uma Yoga inalterável. Quanto a isso não há nenhuma dúvida.


8. Eu sou a origem de todo ser, de Mim procede a obra do universo. Sabendo disto, os sábios Me adoram em amorosa contemplação.


9. Com o pensamento fixo em Mim, tendo em Mim concentrada a sua vida, instruindo-se uns aos outros e falando de Mim sem cessar, vivem satisfeitos e felizes.


10. A estes homens que se consagram à união mística e Me servem com amor. Eu lhes inspiro aquela devoção baseada no conhecimento, através da qual chegam a mim.


11. Movido pela compaixão e residindo em sua alma, dissipo neles as trevas nascidas da ignorância, através da luz refulgente da sabedoria.




Fala Arjuna:


12. Tu és o supremo Brahma, a glória suprema, a suprema pureza, o espírito perpétuo e divino, a divindade original, sem princípio, onipresente e o Senhor todo-poderoso.


13. Os sábios mais eminentes, Nárada, Assita, Devala e Vyassadeva, declaram tudo isso a Teu respeito. E agora ouvi de Teus lábios a mesma declaração.


14. Creio firmemente na verdade de Tuas palavras, ó Keshava, porque nem os deuses nem os dânavas Te conhecem, Senhor bendito.


15. Apenas Tu conheces a Ti mesmo, por Ti mesmo, ó Puruchottama, autor de todas as coisas, rei dos seres, deus dos deuses, Senhor do Universo.


16. Apenas Tu podes mostrar-me sem reservas teus divinos atributos, graças aos quais penetras estes mundos.


17. Como poderei eu conhecer-Te, através de meditação contínua. Senhor de poderes misteriosos? Sob que forma especial me será dado considerar-Te, divino Senhor?


18. Fala-me em detalhe de teu poder misterioso e de tuas divinas perfeições, Janârdana, e fala mais e mais, pois tuas palavras são para mim o néctar da imortalidade e por mais que eu Te ouça, nunca me sacio.




Fala Krishna:


19. Assim seja: vou enumerar-te meus atributos divinos, ainda que me limite aos principais, ó melhor dos kurus, pois não há limites para minha grandeza.


20. Eu sou, ó Gudâsheza, o espírito entronizado no coração de todas as criaturas.


21. Entre os adityas sou Vishnu; entre as luzes, o Sol radiante; sou Marîchi entre os maruts; a Lua, entre as estrelas.


22. Entre os Vedas sou Sâma-Veda; Vâsava, entre os deuses; o sentido eterno, entre os sentidos; a inteligência nos seres vivos.


23. Sou Zankara entre os rudras e Vitteza entre os yakshas e râkshasas; Pâvaka entre os vasus e o Meru entre os picos elevados.


24. Sabe, filho de Prithâ, que entre os sacerdotes Eu sou Brihaspati; entre os chefes guerreiros sou Skanda e entre as águas, sou o oceano.


25. Sou Brighu entre os grandes rishis; entre as palavras sou a sílaba OM ( ); entre os sacrifícios sou japa; entre as montanhas, o Himalaia.


26. A figueira sagrada entre as árvores; Nârada entre os rishis divinos; Chitraratha, entre os cantores celestes e o inspirado asceta Kapila entre os siddhas.


27. Sabe que entre os cavalos sou Uchchaizravas, ó tu que nasceste do néctar; sou Airâvata entre os nobres elefantes e entre os homens sou o soberano.


28. Entre as armas Eu sou o raio; Kamadhuk entre os rebanhos; Kandarpa, entre os que têm descendentes e Vâsuki entre as serpentes.


29. Sou Ananta entre os nagas; Varuna entre os habitantes da água; Aryaman entre os antepassados e Yama entre os juízes.


30. Entre os daityas sou o Prahlâda; entre as medidas, o tempo; entre os animais selvagens sou o rei dos animais e entre os seres alados, Vainateya.


31. Entre os agentes purificados sou o vento; sou Râma entre os guerreiros; Makara entre os peixes e Jâhnavi entre os raios.


32. Sou princípio, meio e fim de todas as coisas criadas, Arjuna; entre as ciências sou a ciência do espírito supremo e sou o argumento Vâda entre os que discutem.


33. Sou a vogal A entre as letras; o composto copulativo entre as palavras compostas. Sou o tempo infinito, o mestre ordenador, cujas faces estão em toda parte.


34. Sou a morte que tudo arrebata e o nascimento de tudo que adquire vida. Entre os atributos femininos sou a glória, a beleza, a eloqüência, a memória, a inteligência, a constância e a misericórdia.


35. Sou também o grande hino entre os hinos do Sama-Veda; entre as formas métricas sou Gâyatri; sou Mârgazircha entre os meses, e a primavera entre as estações.


36. No aventureiro sou o espírito de risco; no forte, a força. Sou a resolução, a perseverança e a vitória; a verdade do verdadeiro e a bondade do bem.


37. Entre os descendentes de Vrishni sou Vâsudeva; entre os filhos de Pându sou Dhananjaya; Vyâsa entre os munis e, entre os sábios, o sábio Ushanâ.


38. Sou a soberania dos que reinam, a tática dos que querem triunfar. Sou o silêncio do segredo e a sabedoria dos sábios.


39. Sou o germe de todos os seres, Arjuna. Sem Mim não há coisa alguma, animada ou inanimada que possa existir.


40. Meus atributos divinos não tem fim, ó perseguidor de inimigos. O que acabo de mostrar-te é apenas uma amostra de minha glória infinita.


41. Tudo quanto há de sublime, perfeito e poderoso, entende, Arjuna, que é produto de uma partícula de minha grandeza.


42. Mas que necessidade tens de conhecer todos esses detalhes, Arjuna? Sabe que o Universo se constituiu e se mantém apenas com uma parcela infinitesimal de Mim mesmo.

BHAGAVAD-GITA: CANTO IX SANTIFICAÇÃO INTERNA PELO MISTÉRIO SUBLIME

SANTIFICAÇÃO INTERNA PELO MISTÉRIO SUBLIME

Fala Krishna:


1. Vou revelar-te agora, a ti que me ouves com respeito, o maior dos segredos, o conhecimento acompanhado do superconhecimento. Desde que estejas neles instruído, estarás livre do mal.


2. É o conhecimento máximo, o máximo mistério, o purificador supremo, o conhecimento justo e verdadeiro pela percepção clara e imediata, fácil de realizar e inesgotável.

Krishna e Arjuna no campo de batalha

3. Os homens que não tem fé nesta prática piedosa não chegam a Mim, ó perseguidor de teus inimigos; entram novamente nos caminhos deste mundo mortal.


4. Em minha forma invisível, preencho todo este Universo; todos os seres estão em Mim, mas Eu não estou neles.


5. Mas tampouco os seres estão em Mim: este é o mistério do meu poder divino. Sendo sustentáculo de todos os seres e a causa de sua existência, meu espírito não está neles.


6. Da mesma forma que o ar incomensurável, movendo-se por toda parte, permanece sempre no espaço etéreo, todos os seres estão em mim.


7. Quando um kalpa chega a seu fim, filho de Kuntî, todos os seres são absorvidos em minha natureza material, e de Mim emanam outra vez ao principiar um novo kalpa.


8. Com ajuda de Minha natureza material Eu emano, repetidas vezes, toda essa multidão de seres que surgem sem vontade própria, obedecendo ao poder da natureza.


9. No entanto, Dhananjaya, Eu não permaneço ligado por tais atos, pois Me mantenho acima deles, indiferente.


10. Sob meu comando a natureza engendra todos os seres, animados e inanimados; e assim, filho de Kuntî, o mundo cumpre seu ciclo.


11. Os insensatos, desconhecendo minha natureza superior, quando estou revestido por uma forma humana, Me desprezam, a Mim, soberano senhor de todas as criaturas.


12. Privados de entendimento, toda sua ação, seu conhecimento, suas esperanças são vãs; eles participam da natureza râkshasas e asuras.


13. Mas os homens de alma elevada, filho de Prithâ, participando de minha natureza divina e sabendo que Eu sou a fonte eterna e inesgotável de todos os seres, Me adoram com o pensamento fixo em Mim.


14. Glorificando-Me sem cessar, lutando com afinco, firmes em seus votos e prosternando-se diante de Mim. Me adoram com devoção fervorosa e constante.


15. Outros me oferecem o sacrifício do conhecimento e Me adoram em minha unidade e em minha multiplicidade, como presente em toda parte e em diferentes formas.


16. Eu sou a oblação, o sacrifício, a oferenda aos antepassados, a erva bendita, o hino sagrado, a manteiga purificada, o fogo e também a vítima consumida em holocausto.


17. Sou pai, mãe, sustentador, avô deste Universo. Sou o objeto do conhecimento, o purificador, a sílaba OM e também o Rik, o Sâma e o Yajur.


18. Sou meta, sustentáculo, senhor, testemunha, mansão, refúgio, amigo, princípio, fim, fundamento, receptáculo e semente eterna.


19. Eu dou o calor, retenho e envio a chuva, sou a imortalidade e a morte, sou o ser e o não-ser, Arjuna.


20. Os que conhecem os Vedas, os que bebem o soma, limpos de pecados e oferecendo-me sacrifícios imploram a Mim o caminho dos céus. Chegando ao glorioso mundo de Indra participam do banquete celestial dos deuses.


21. Depois de gozar ali as delícias do vasto mundo paradisíaco, esgotados seus méritos, retornam a este mundo mortal. Quem segue a lei dos livros sagrados, alimentando desejos em seu coração, alcança apenas o transitório.


22. Aqueles que, vivendo com a atenção sempre fixa em Mim. Me adoram sem pensar jamais em outro ser, ofereço plena segurança de bem-aventurança perpétua.


23. Mesmo aqueles que adoram outras divindades com fé e devoção ardorosas, Me adoram, ó filho de Kuntî, mas não de acordo com a verdadeira lei.


24. Porque Eu sou o senhor de todos os sacrifícios e aquele que os recebe, mas tais homens não Me conhecem em essência e por isso caem.


25. Aqueles que adoram os deuses vão aos deuses; aqueles que servem os antepassados vão a eles, aqueles que cultuam os espíritos elementares vão aos espíritos elementares, mas aqueles que Me adoram vêm a Mim.


26. Se alguém Me oferece com devoção uma folha, uma flor, um fruto ou apenas água, aceito tal presente de uma alma piedosa e sincera.


27. Assim, pois, filho de Kuntî, qualquer coisa que faças, qualquer alimento que comas, qualquer objeto que ofereças em sacrifício, qualquer esmola que dês, qualquer mortificação a que te submetas, faça-o como uma oferenda a Mim.


28. Desta forma estarás livre das cadeias da ação, sejam seus frutos bons ou maus. Aplicando-te com fervor à Yoga e à renúncia, estarás livre e virás a Mim.


29. Eu sou o mesmo para todos os seres, ninguém Me é querido ou odioso; mas aqueles que Me adoram com devoção estão em Mim e Eu estou neles.


30. Mesmo o homem mais depravado, se Me adora com dedicação exclusiva, deve ser considerado um justo, porque anseia pela verdade.


31. Um homem assim logo se torna virtuoso e se encaminha para a paz eterna. Tem certeza, filho de Kuntî, que quem Me ama, não se perde jamais.


32. Porque aqueles que buscam refúgio em Mim, ó filho de Prithâ, mesmo que tenham sido engendrados no pecado, mulheres, vaishyas e até os shudras chegam ao fim supremo.


33. Com muito mais razão, pois, os santos brâmanes e os piedosos rishis reais! Adora-Me, pois, neste mundo transitório e cheio de amarguras.


34. Fixa teu pensamento em Mim, prostra-te diante de Mim adorando-me e rendendo-Me culto devoto. Assim unido de coração comigo e considerando-Me como meta suprema, virás a Mim.

BHAGAVAD-GITA: CANTO VIII INTEGRAÇÃO NA SUPREMA DIVINDADE

INTEGRAÇÃO NA SUPREMA DIVINDADE

Fala Arjuna:


1. O que é esse Brahma, o que é o espírito supremo, o que é a ação, ó Puruchottama? A que se dá o nome de ser supremo, suprema divindade?


2. Que é supremo sacrifício, como está aqui no corpo, ó Madhusûdana? Dize-me, enfim, como podem conhecer-Te na hora da morte aqueles que se dominam a si mesmos?

Krishna e Arjuna no campo de batalha

Fala Krishna:


3. Brahma é o Imperecível e o Supremo; sua natureza essencial é denominada espírito supremo; e a emanação que dá origem a todos os seres chama-se ação.


4. Ser supremo é minha natureza perecível; suprema divindade é o princípio criador masculino e Eu mesmo, encarnado neste corpo, sou o supremo sacrifício, ó tu o melhor dos mortais.


5. Aquele que nos últimos instantes de sua vida pensa unicamente em Mim, ao desembaraçar-se de seu corpo entra em Meus ser.


6. Mas quem abandona seu corpo pensando em algum (outro) ser, a ele se encaminha, filho de Kuntî; pois absorto sempre em tal pensamento, amoldou-se a esse ser.


7. Por isso pensa sempre em Mim e luta. Tendo o coração e o entendimento sempre voltados para Mim, virás a Mim sem dúvida.


8. O homem que com assiduidade medita no espírito supremo, e mantém sem cessar a mente aplicada à Yoga, sem voltar-se para nenhum outro ser, dirige-se a Ele.


9. O Eu supremo é o onisciente, o eterno, o governador soberano, mais sutil que o sutil, sustém o Universo. Sua forma é inconcebível, é fulgurante como o Sol que brilha sobre as trevas.


10. Aquele que medita no eterno, no momento de sua morte, com a mente imóvel, fortalecida pela Yoga e com o alento vital (prana) concentrado entre as sobrancelhas, dirige-se ao divino espírito supremo.


11. Vou revelar-te em breves palavras a mansão que os conhecedores dos Vedas chamam de indestrutível, em que entram aqueles que venceram a si mesmos e estão livres de paixões.


12. Fechadas todas as portas dos sentidos, a mente concentrada no coração, retendo na cabeça o alento vital, concentrado na Yoga,


13. pronunciando o monossílabo sagrado OM, e concentrado em Mim, quem deixa o Mundo desta forma, ao abandonar seu corpo encaminha-se à meta suprema.


14. Fácil é atingir a suprema perfeição quando o homem anda na minha presença, constantemente consciente de Mim, em todos os caminhos de sua vida e alheio a outros deuses.


15. Essas grandes almas, conscientes da sua união comigo, não tornarão a nascer para esta vida perecível de sofrimentos, mas vêm a mim, a eterna Beatitude.


16. Esses mundos todos, ó Arjuna, desde o mundo de Brahma, estão sujeitos a um retorno ao nascimento; mas o homem que chegou a Mim nunca mais será exposto ao renascimento, ó filho de Kuntî.


17. Aqueles que sabem que o dia de Brahma tem a duração de mil idades e que a noite dura outras mil, são os que conhecem o dia e a noite.


18. Com a vinda do dia, o universo do manifesto surge do imanifesto, e ao chegar a noite, tudo se desvanece no imanifesto.


19. Toda essa multidão de seres, vindos repetidamente à existência, desaparece ao chegar a noite, filho de Prithâ e surge novamente, sem vontade própria, quando vem o dia.


20. Mas, acima deste imanifesto, há na verdade outro ser imanifesto que é eterno e não perece quando perece todo o existente.


21. Aquele que é dito imanifesto é imperecível, é a meta suprema; quem chega a alcançá-la, jamais retorna. Esta é a minha morada.


22. Por uma devoção exclusiva a Ele, filho de Prithâ, pode-se chegar a este espírito supremo, que contém todos os seres e que preenche todo o Universo.


23. Vou revelar-te agora o momento em que os yogues partem para não mais voltar e também o momento em que partem para retornar.


24. Fogo, luz, dia, quinzena em que cresce a Lua e os seis meses em que o Sol segue sua rota no norte: este é o tempo em que os homens que morrem conhecendo Brahma, se dirigem a Brahma.


25. Fumaça, noite, a quinzena em que a Lua míngüa e os seis meses em que o Sol está no sul, então o yogue alcança somente a luz lunar para nascer de novo entre os mortais.


26. Luz e trevas: eis aqui dois eternos caminhos deste mundo. Por um seguem aqueles que partem para não mais voltar e por outro, aqueles que devem retornar.


27. Conhecendo estes dois caminhos, filho de Prithâ, o yogue não se engana. Procura, pois, Arjuna, aplicar-te constantemente à Yoga.


28. Por maior que seja a justa recompensa prometida pelos Vedas aos sacrifícios, austeridades e atos de caridade, o yogue a supera em virtude de tal conhecimento, pois se encaminha à morada suprema e original.